Falta de medicamentos, mofo e infiltração: os achados em fiscalização do TCE em farmácias de SP

Contexto da Fiscalização do TCE-SP

No dia 7 de maio de 2026, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) lançou uma operação surpresa que teve como objetivo principal a verificação da gestão de medicamentos e a operação das farmácias públicas municipais. A fiscalização abrangeu cerca de 300 cidades do estado, com a colaboração de aproximadamente 380 auditores. Este movimento se insere em um esforço mais amplo do TCE-SP para garantir que os serviços públicos oferecidos à população sejam realizados de forma eficiente e dentro dos padrões estabelecidos.

Auditores e Sua Importância na Operação

A presença de 380 auditores é fundamental para a execução eficaz da fiscalização. Eles foram designados para atuar em diferentes regiões ao mesmo tempo, verificando a conformidade das farmácias com as normativas de saúde. A função dos auditores envolve a aplicação de critérios rigorosos de controle e avaliação, assegurando que todas as unidades estejam aptas a fornecer medicamentos com segurança e qualidade.

O Que Foi Avaliado nas Farmácias?

Durante a operação, os auditores focaram em vários pontos essenciais que garantem a correta administração das farmácias públicas. Os itens a serem avaliados incluem:

fiscalização em farmácias públicas

  • Controle de entrada e saída de medicamentos: Verificação detalhada sobre como os medicamentos são registrados e gerenciados na farmácia.
  • Armazenamento: As condições em que os medicamentos são guardados, garantindo que não haja risco de contaminação ou deterioração.
  • Prazo de validade: Inspeção para assegurar que os produtos disponíveis ainda estão dentro do prazo de utilização.
  • Prevenção de desabastecimento: Análise da gestão do estoque para evitar a falta de medicamentos essenciais.
  • Retirada duplicada de remédios: Avaliação de sistemas para detectar qualquer erro que possa levar à entrega em excesso de medicamentos.

Condições Sanitárias e Estruturais

Um dos aspectos mais críticos da fiscalização diz respeito às condições sanitárias e estruturais das farmácias. Os auditores verificaram:

  • Higiene: Condições de limpeza e adequado manejo de resíduos.
  • Controle de temperatura e umidade: Garantia de que as condições ambientais dos locais de armazenamento sejam favoráveis.
  • Proteção contra pragas: Medidas tomadas para prevenir a infestação de insetos e outros animais.
  • Instalações: Integridade da estrutura das unidades, incluindo forros e paredes, que não devem apresentar mofo ou infiltrações.

Presença de Farmacêuticos: Um Fator Crítico

Outro ponto de verificação crucial foi a presença de farmacêuticos qualificados durante o funcionamento das farmácias. A presença desses profissionais é vital para assegurar:



  • Orientação ao usuário: Farmacêuticos devem estar disponíveis para dar informações sobre o uso correto dos medicamentos.
  • Supervisão do estoque: Garantir que cada medicamento receitado aos pacientes siga as diretrizes de segurança.
  • Resoluções de dúvidas: Esclarecimentos sobre possíveis interações entre diferentes medicamentos e condições de saúde dos pacientes.

Relatos de Irregularidades Encontradas

A fiscalização revelou diversas irregularidades significativas. Aqui estão alguns dos problemas documentados:

  • Farmácia municipal de alto custo de São José do Rio Pardo: Infiltração, forro danificado e fila de espera excessiva devido à falta de funcionários.
  • USF Jardim Arpoador, em Francisco Morato: Não cumprimento do horário de atendimento, fechando antes do previsto.
  • UBS Jardim Jacira, em Itapecerica da Serra: Presença de mofo em pontos críticos e geladeira em estado de inoperância.
  • Farmácia Municipal de Brotas: Vegetação crescendo na unidade de climatização adequada.
  • Farmácia Central de Vargem Grande do Sul: Goteiras no almoxarifado, levando a danos em medicamentos.

A Reação das Autoridades de Saúde

A resposta das autoridades de saúde foi imediata. O TCE-SP manifestou a necessidade urgente de reformas e a implementação de medidas corretivas nas unidades fiscais. A posição é clara: a saúde pública não pode ser comprometida pela má gestão. O tribunal enfatizou a importância de se estabelecer protocolos rigorosos para garantir a qualidade no atendimento.

Impacto na População e na Saúde Pública

As falhas encontradas podem ter graves consequências para a população. A escassez de medicamentos adequados e as condições de armazenagem inadequadas afetam diretamente a população que depende dos serviços de saúde pública. O impacto se estende a:

  • Desconfiança: A população pode perder a confiança nas farmácias públicas, optando por alternativas privadas mais caras.
  • Saúde comprometida: Falta de medicamentos essenciais pode resultar em agravamento do estado de saúde de pacientes crônicos.
  • Aumento de custos: Com a possível piora da saúde da população, os gastos públicos com tratamentos de saúde a médio e longo prazo podem aumentar.

Expectativas Após a Fiscalização

Após a conclusão da operação de fiscalização, as expectativas são de que melhorias substanciais sejam feitas nas farmácias municipais. As autoridades esperam que as unidades adaptadas às recomendações do TCE-SP possam garantir um atendimento mais eficiente e seguro à população.

Próximos Passos do TCE-SP

As próximas etapas incluem o monitoramento contínuo das farmácias para assegurar que as melhorias implementadas sejam mantidas e novos padrões de qualidade sejam seguidos. O TCE-SP pretende também:

  • Realizar novas operações de fiscalização em intervalos regulares, como parte de uma estratégia de auditoria contínua.
  • Promover treinamentos e capacitações para os profissionais que atuam nas farmácias, visando atualização nas melhores práticas de atendimento.
  • Estabelecer um canal de comunicação com a população, permitindo que denúncias sobre irregularidades sejam feitas de maneira anônima e segura.


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